domingo, 8 de fevereiro de 2009

A morte do acaso


Roupas descoladas, desbotadas, um despojamento moderno e dito "casual"....
chats de encontros e noites de sexo casual...

Nada de improviso,
tudo antes para respeitar todos os avisos
de que fumar faz mal
que aquilo outro é ilegal
Vive-se sob a tensão do controle sem controle

Não saber de amanhã parece um castigo
quando às telas de vidro
deveríamos ter enviado um relatório semanal

No reino do pré-estabelecido
já não se encaixa o acaso,

mas só os jeans, só os chats, criados e planejados para serem casuais.

MegaPolis


Correm nas ruas da metrópole

milhares de seres apressados,

a passos largos, ou em carros

nas caronas da pressão

Uma atmosfera nada relax transborda da paisagem


E eu, nem a pé, nem na fila do taxi

lá de cima, lá de fora,

sem nem saber da hora

mais uma vez a contemplar...


uma cena que é a mesma, hoje, ontem e amanhã...


todos buscam algo, entram nas portas dos trabalhos

nem pensam além dos hábitos que repetem


isso é loucura ou culpa de uma cultura de

funções laborativas que a todos parecem mover?!


e eu de cima da rua

tão alta e distante me rio com a Lua

o sorriso da gata de Alice

que sempre quero manter...


de onde chegam e porque o tanto correr...

se na margem das esquinas cantam tantas meninas

odes a alegria de bem viver...


além de tantos terninhos cinzas e maletas pretas

gravatas de nó e borboletas,



eu deliro sobre todas essas pequenas cabeças

que a metrópole parece não ver...

sábado, 29 de novembro de 2008

A tua voz para mim


Triste sinfonia que agora soa...

mas de tão intensa a mim me remexe


eu ainda assim

envolta em lençóis


com os livros no chão, movo a cabeça devagar.....


Uma múscia bonita, um canto de sereia,


uma harmonia milenar

maneira

e um tanto melancólica....


Vem em mim e para mim estas notas de algodão

me envolvem com leveza


e ainda sem certeza... se sonho.... se vivo....


abro bem os meus ouvidos

antes de abrir olhos......

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Fim de festa


De todo lixo no chão eu catei uns papéis molhados
Com gotas pequenas, porém fortes
Dentre os resquícios abandonados
Um outro papel rasgado
Voando leve e ao mesmo tempo pesado
Pois o que diziam aí
Era que tudo e mesmo nada têm fim
Uma vez que o tudo não exclui o nada
Ou pelo menos o nada não exclui o tudo
E sendo assim
Não fica nada e morre tudo
Quando a festa se acaba.

TECNICOLOR




Sobre o amor entre dois reinos animais distintos
Muito não se sabe.......
Pois eu amo uma ave....
Ave macho alfa, rabo de pavão!!!!!!
Amo estas cores em penas, em plumas e em formas
Para um olhar tão preto e branco como o meu....

Olhar este bicho é desprezar o arco-íris
E fazer de um complexo jogo de cores
Uma esfinge sem nenhuma porção antrópica
Sem nenhuma lógica
Nem oculta nem evidente


Nem decifrável
Nem impensável
Mas sim exuberante
Coisas de amantes
Que de um tecnicolor
Nasceu um dia.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Que o mundo beba mais do amor


Em largos goles beberei este mundo

e aos suspiros profundos

hidaratarei minha alma

com seus maiores fortúnios,


Em largos goles beberei desta fonte

eu já não tenho tantas


mas, há uma que nunca me seca:


a água da vida e o ar que me sopra.


Com isto tenho muito

e meu pouco construo!!!!


Beberei em largos goles a minha sede de existir

só quando muito fatigada


me resguardarei e sumirei das calçadas

para dentro das portas fechadas


para amanhã de novo sorrir.....


Beberei com a boca aberta

em dias de festa


e com a boca fechada deixarei esparramar-se

as águas da tristeza e da desgraça

para fora do meu casaco.


Bebo porque tenho sede

mas não cedo quase bebo


apenas mais tarde

quando tua figura me invade os pensamentos


quando em mim rumina esse desejo de acalento


teu, meu, do mundo.....


que nele exista sempre a capacidade

de conjugar

ou, de em qulquer grandeza

bebericar

na fonte do verbo amar.

Na cama da sintonia

Engendrada pela promessa de outros dias de amor
piso no chão estes dias

mas, com leveza e um bocado de melancolia

piso no chão estes dias

Envolucrada em letras e livros

Espreitando da margem o abismo

Andando para trás e para a frente

eu piso no chão estes dias.

Pois que quando virão estes dias de amor,

quase não pisarei mais no chão,

flutuarei pelo espaço

e cairei sem pensar

na cama da nossa sintonia e satisfação.